Babado!!

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Diário de uma garota um pouquinho diferente

2.7.03

Orgulho gay leva mais de cem mil à Atlântica

Fernanda Pontes e Paula Autran

O clima ameno não poderia ser mais propício. Os termômetros marcavam 24 graus quando, às 16h30m de ontem, nas contas da PM, cerca de cem mil gays, lésbicas, bissexuais, transgêneros e, claro, simpatizantes deram início à oitava edição da Parada do Orgulho GLBT em Copacabana. Para os organizadores, eram 300 mil no total. A festa do babado, das plumas e dos brilhos (e também de corpos sarados, tatuagens e piercings) encheu pelo menos dois quilômetros da Avenida Atlântica de gente alegre dançando ao som da música eletrônica que vinha de quatro trios elétricos.
Sob uma imensa bandeira com as cores do arco-íris, casais homossexuais beijavam-se muito. E fora dela também. Apesar de o ‘s’ dos simpatizantes não constar na sigla GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros), eles fizeram questão de marcar presença: tinha militante do PSTU empunhando bandeira; evangélicos tentando salvar almas; crianças e velhos encantados com a festa; artistas como Elke Maravilha e Camila Pitanga; e políticos como o secretário Nacional de Segurança, Luiz Eduardo Soares.
— A intolerância é a fonte da violência. Toda forma de amor vale a pena — disse Soares, com um lenço multicolorido nos ombros, ao microfone.
Meta é reunir 400 mil participantes em 2004
O importante é beijar na boca de quem se ama, não importa se é cavaleiro ou dama”, dizia o hino da parada, entoado a seguir pela cantora Leila Maria. O mote valia até para heterossexuais.
— Não discriminamos os simpatizantes na sigla. Para nós, é fundamental que todos participem — frisava o presidente do Grupo Arco-Íris, Cláudio Nascimento, que deu início às comemorações do Dia do Orgulho Gay (28 de junho) no Brasil. — Em 2004 vamos reunir 400 mil.
— Acho que a parada do Rio tem muito mais simpatizantes do que a de São Paulo — avaliou o paulista André Fisher, diretor do site Mix Brasil, que ajudou a trazer o trio elétrico das duas boates paulistas, onde vips dançavam sobre um tapete de pelúcia preta e descansavam em pufes de couro.
Menos, André, menos. Está certo que muita gente como a aposentada Rosa Strauss, de 72 anos, estava lá para garantir a força dos simpatizantes:
— É a primeira vez que venho. Gosto deles e os respeito.
Mas, pelas contas dos vendedores ambulantes de bebidas, o público era mesmo sui generis .
— Eles consomem cerca de 50% mais — alegrava-se o ambulante Valdemir Sales.
Alguns preferiam a sobriedade de palavras de ordem como “orgulho” e “coragem” estampadas em camisetas. Mas as fantasias à la Banda de Ipanema eram um capítulo à parte. Capítulo de novela, inclusive: as transformistas Rose Bombom e Susi, vestiram-se de Clara e Rafaela, as personagens lésbicas de “Mulheres apaixonadas”. Um sucesso! Na vida real, adolescentes como as da novela também desfilavam aos pares.
— No momento em que o Rio só ganha manchetes pela violência, uma manifestação pacífica contra o preconceito merece aplausos — disse o ator Pedro Paulo Rangel.
E foi com palmas que a parada terminou, às 20h, no Posto Seis, seis horas depois do início da concentração. O público seguiu para o Arpoador para assistir ao show de Fernanda Abreu e Elza Soares. Amanhã, segundo o Serviço de Meteorologia da Marinha, é dia de ressaca.