Babado!!

Babado!!

Diário de uma garota um pouquinho diferente

30.8.02

Algumas dúvidas quanto à isso...


:: RASCUNHO ::
por Rodrigo Savazoni, publicado em http://emcrise.blogspot.com

 
São Paulo. O céu submerso em prédios. Homens e mulheres, quais coelhos de Alice, correndo pelas ruas com rumo e horário certos.
A pobreza se dissipa em São Paulo. Tão burguesa! E a sensação que tenho é a de que estou mergulhado numa cidade infinita.
São Paulo e seus segredos,
...Seu vestido de néon
...Seu tailleur parisiense
...Seu modelito de Faoze Haten
Seu vestido de chita, seu pé descalço;
Inflamado;
Putrefato;
Vivo na Avenida Paulista. Limiar da decadência.
De um lado, prostitutas, velhas bichas, botequins nordestinos, carcamanos, arcaicas cantinas, teatros em reforma perene, sarjetas, Dom Orione, Brigadeiro rumo ao centro, Praça Roosevelt.
Era por ali, ao lado da escadaria, pertinho do Ruth Escobar, que me disseram, o pessoal ia beber no Garufas. O Geraldinho da Jerupinga, o Amigo Gianotti. O desejo de pobreza do que restou de esquerda; o desejo de riqueza dos que vivem nos cortiços. O Bixiga é um cortiço. São Paulo é uma gambiarra.
Do outro lado, o jardim. Ou, ainda: os jardins! Onde vive a prefeita. Apartamentos de mil metros quadrados com maçanetas douradas, provavelmente banhadas em ouro. Quadros de Portinari, chãos e escadarias em mármore.
Restaurantes requintados;
Refinados;
Concorridos;
Caros e empertigados.
Michês, artistas, boêmios (esses transitam pelos dois lados) povoam a ala nobre da Paulista. Figueira Rubayat, Ritz, Supremo, Balcão, Roane, Casa do padeiro, gays, lésbicas e simpatizantes. Na Consolação, os meninos e as meninas recitam Verlaine. Vomitam trechos de Dorian Gray. Ouvem música pop inglesa produzida por computadores. E dançam, em ecstasy.
São Paulo. Meu São Paulo. São Paulo ainda me surpreende quando garoa. São Paulo, gigante e morta, que rasteja pululante rumo à modernidade.
Em São Paulo, me sinto perdido a três quarteirões de minha casa.